{"id":707,"date":"2018-04-09T18:00:39","date_gmt":"2018-04-09T21:00:39","guid":{"rendered":"https:\/\/posverda.de\/?p=707"},"modified":"2018-04-21T10:06:43","modified_gmt":"2018-04-21T13:06:43","slug":"guerrilhas-jogo-sujo-das-fake-news-arte-mentira-eleicoes-2018-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/posverda.de\/guerrilhas-jogo-sujo-das-fake-news-arte-mentira-eleicoes-2018-brasil\/","title":{"rendered":"As Guerrilhas, o Jogo Sujo das Fake News e a Arte da Mentira"},"content":{"rendered":"<h1>Baseado em relatos fornecidos pelos produtores de <strong>Fake News<\/strong>.<\/h1>\n<p>Normalmente esses &#8220;profissionais guerrilheiros&#8221; s\u00e3o especializados em tecnologia e marketing pol\u00edtico. Chegam a ganhar mais de R$ 500.000,00 mil por candidato na \u00e9poca das elei\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o costumam deixar rastros.<\/p>\n<p>Agora, conhe\u00e7a um pouco mais dos bastidores e segredos dessa guerra na rede \u2014 ou pelo menos uma fra\u00e7\u00e3o dela.<\/p>\n<p>Eles preferem ser associados a guerrilheiros, algo referente \u00e0 luta ideol\u00f3gica. E essa \u00e9 a primeira desinforma\u00e7\u00e3o, num ambiente virtual minado, em que os Governos parecem incapazes de reagir e desarmar os explosivos digitais, e como ser\u00e1 visto mais adiante, n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico problema das autoridades.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-708\" src=\"https:\/\/posverda.de\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2018\/04\/guerrilha-fake-news-servico-buscas-pos-verdade-noticias-falsas-boatos-correntes-rumores-whatsapp-redes-midias-sociais-eleicoes-2018-brasil.png\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"506\" srcset=\"https:\/\/posverda.de\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2018\/04\/guerrilha-fake-news-servico-buscas-pos-verdade-noticias-falsas-boatos-correntes-rumores-whatsapp-redes-midias-sociais-eleicoes-2018-brasil.png 900w, https:\/\/posverda.de\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2018\/04\/guerrilha-fake-news-servico-buscas-pos-verdade-noticias-falsas-boatos-correntes-rumores-whatsapp-redes-midias-sociais-eleicoes-2018-brasil-300x169.png 300w, https:\/\/posverda.de\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2018\/04\/guerrilha-fake-news-servico-buscas-pos-verdade-noticias-falsas-boatos-correntes-rumores-whatsapp-redes-midias-sociais-eleicoes-2018-brasil-768x432.png 768w, https:\/\/posverda.de\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2018\/04\/guerrilha-fake-news-servico-buscas-pos-verdade-noticias-falsas-boatos-correntes-rumores-whatsapp-redes-midias-sociais-eleicoes-2018-brasil-705x396.png 705w, https:\/\/posverda.de\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2018\/04\/guerrilha-fake-news-servico-buscas-pos-verdade-noticias-falsas-boatos-correntes-rumores-whatsapp-redes-midias-sociais-eleicoes-2018-brasil-450x253.png 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/p>\n<p>Mais de 30 investigadores, policiais, marqueteiros, acad\u00eamicos e pol\u00edticos sobre o poder e a extens\u00e3o das <strong>fake news<\/strong> nas elei\u00e7\u00f5es deram seus relatos. Inclusive o escritor ingl\u00eas Misha Glenny, autor de Mercado sombrio \u2014 o cibercrime e voc\u00ea e McM\u00e1fia \u2014 crime sem fronteiras, ambos editados no Brasil pela Companhia das Letras.<\/p>\n<p>Os dois livros de Glenny detalham como criminosos especializados se aproveitam da rede de computadores para enganar pessoas comuns. Os m\u00e9todos usados, como o anonimato e a t\u00e9cnica de n\u00e3o deixar rastros, s\u00e3o parecidos com os da produ\u00e7\u00e3o das <em><strong>fake news<\/strong><\/em>, numa guerra cada vez mais cara \u00e0 democracia, em que a verdade \u00e9 a primeira a desaparecer.<\/p>\n<p>Uma das formas de dificultar o rastreamento \u00e9 o uso de <em><strong>Lan Houses<\/strong><\/em>\u00a0(de onde s\u00e3o feitos disparos em lotes de milh\u00f5es de e-mails com not\u00edcias falsas para advers\u00e1rios pol\u00edticos) em pequenas cidades &#8211; \u00e0s vezes com menos de 100 mil habitantes &#8211; fora do pa\u00eds, normalmente na Argentina e\/ou fronteira com o Uruguai, com o aux\u00edlio de comparsas locais. E a dist\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 um problema paras os mercen\u00e1rios quando eles precisam se encontrar pessoalmente com seus clientes, variam os trechos entre \u00f4nibus e avi\u00e3o, como medida de precau\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que de fato importa, \u00e9 o tempo dos disparos das mensagens. Como uma metralhadora, o equipamento do gringo (comparsa local) \u00e9 capaz de descarregar as not\u00edcias no lote de um milh\u00e3o de e-mails entregues no pendrive. E, assim, o argentino \u00e9 recrutado para um per\u00edodo de tr\u00eas meses, que, em terras brasileiras, corresponde ao da campanha eleitoral. Ap\u00f3s isso eles retornam ao <em><strong>bunker<\/strong><\/em> das <em><strong>fake news<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p>A &#8220;equipe&#8221; que fica no escrit\u00f3rio da empresa de marketing, contratado para fazer a guerrilha virtual, geralmente tem entre 15 e 20 integrantes de uma lista de cortes feita pelo RH. O grupo era formado pelos mais irrespons\u00e1veis, o pessoal que n\u00e3o cumpria prazos e quase sempre estava atrasado para as reuni\u00f5es.<\/p>\n<p>A origem deste tipo de recrutamento, \u00e9 o pessoal dispensado por indisciplina e por n\u00e3o cumprir metas. Geralmente s\u00e3o abordados com a &#8220;proposta&#8221;: \u201cPosso recontrat\u00e1-los caso algum de voc\u00eas queira trabalhar com contrainforma\u00e7\u00e3o\u201d. Sem saber ainda o que aquilo significava, topam o trabalho e assinaram um termo de confidencialidade, que, na pr\u00e1tica, n\u00e3o vale nada, mas simbolizava o car\u00e1ter sigiloso do trabalho a ser feito a partir dali.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso ter confian\u00e7a na equipe, pois nesse neg\u00f3cio n\u00e3o se trabalha com freiras. O cara pode n\u00e3o ter a dimens\u00e3o do estrago que pode causar na elei\u00e7\u00e3o, mas sabe que est\u00e1 fazendo algo delicado, suspeito.<\/p>\n<p>Os mercen\u00e1rios mais qualificados e mais bem pagos do pa\u00eds \u2014 no m\u00e1ximo, 10 pessoas \u2014 t\u00eam alto conhecimento de inform\u00e1tica, comunica\u00e7\u00e3o e, at\u00e9 mesmo, de psicologia &#8211; gatilhos mentais: estrat\u00e9gias que fazem os usu\u00e1rios clicaram para abrir determinada mensagem e\/ou <em>site<\/em>, tamb\u00e9m conhecia com <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Clickbait\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Clickbait Words<\/em><\/a>.<\/p>\n<p>O produtor de <em><strong>fake news<\/strong> <\/em>n\u00e3o busca que uma not\u00edcia falsa se transforme em verdadeira. Ele quer apenas &#8220;plantar&#8221; a d\u00favida.<\/p>\n<p>Segundo a filosofia de botequim, o problema da pessoa n\u00e3o \u00e9 saber se o companheiro \u00e9 infiel. \u201cSe a pessoa sabe, ou aceita ou acaba o casamento, simples. A afli\u00e7\u00e3o est\u00e1 na d\u00favida.\u201d<\/p>\n<p>A d\u00favida explica a raz\u00e3o de as <em><strong>fake news<\/strong><\/em> n\u00e3o atingirem os militantes fi\u00e9is de determinados candidatos. Eles j\u00e1 conhecem o pol\u00edtico, o apoiam a partir de pesos e contrapesos bem definidos, algo como, \u201cele tem l\u00e1 os seus pecados, mas, ainda assim, \u00e9 melhor do que os advers\u00e1rios\u201d. Como exemplo mais recente, h\u00e1 a elei\u00e7\u00e3o de <strong>Donald Trump<\/strong> nos <strong>Estados Unidos<\/strong>. A for\u00e7a das <em><strong>fake news<\/strong><\/em> foi mais evidente nos <em>swing states<\/em>, aquelas regi\u00f5es sem predomin\u00e2ncia democrata ou republicana.<\/p>\n<p>\u201cFoi em cima dos eleitores desses estados que se concentrou essa tentativa bem-sucedida de manipula\u00e7\u00e3o\u201d, segundo Silvio Meira, professor do Centro de Inform\u00e1tica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Escola de Direito do Rio da FGV. \u201cA <strong>R\u00fassia<\/strong> influiu na elei\u00e7\u00e3o americana, contaminando opini\u00f5es, talvez de milh\u00f5es de eleitores, nos locais onde a disputa poderia ser virada\u201d, afirmou Meira, um homem de 62 anos, que \u00e9 considerado um dos pesquisadores mais influentes na \u00e1rea de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o e um dos pensadores mais atuantes no debate sobre democracia.<\/p>\n<p>\u201cVivemos um dos peda\u00e7os mais complicados da hist\u00f3ria da humanidade, em que as pessoas n\u00e3o entendem as tecnologias que usam.\u201d D\u00favida e confus\u00e3o, duas palavras do gloss\u00e1rio das <em><strong>fake news<\/strong><\/em> que parecem conviver muito bem, obrigado, com outras, como algoritmo, filtro bolha, <strong><em>bots<\/em><\/strong>, <strong><em>hoax<\/em><\/strong> e <em>clusters<\/em>.<\/p>\n<p>A d\u00favida pode ser instalada, por exemplo, a partir da altera\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio do e-mail de um religioso de alta patente e com capacidade para influenciar rebanhos. Ao manter o nome do usu\u00e1rio desse cidad\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel produzir estragos na campanha advers\u00e1ria. Para ampliar os disparos, basta acionar o &#8216;par\u00e7a&#8217; fora do Brasil, descrito no in\u00edcio deste texto. Com os disparos feitos a dist\u00e2ncia, os fi\u00e9is da igreja seguir\u00e3o \u00e0 risca a recomenda\u00e7\u00e3o do texto e republicaram a not\u00edcia, que pegar\u00e1 como fogo em capim seco.<\/p>\n<p>Uma dessas fogueiras das <strong>fakes news<\/strong> est\u00e1 justamente na religi\u00e3o. Em setembro de 2017, o papa Francisco pediu que a Igreja Cat\u00f3lica fizesse uma reflex\u00e3o profunda sobre as not\u00edcias falsas. <strong>Fake news<\/strong> ser\u00e3o tema do 52\u00ba Dia das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, celebrado em 18 de maio. \u201cA verdade vos tornar\u00e1 livres\u201d, escreveu Jorge Mario Bergoglio na conta do Twitter. Segundo a Santa S\u00e9, a Igreja precisa oferecer uma contribui\u00e7\u00e3o sobre o tema, propondo uma reflex\u00e3o das consequ\u00eancias da desinforma\u00e7\u00e3o e estimular um jornalismo profissional, que \u201cbusca a verdade\u201d.<\/p>\n<p>Os observadores do Vaticano pareciam ainda impactados pelos resultados das elei\u00e7\u00f5es norte-americanas que elegeram <strong>Donald Trump<\/strong>. Uma das mentiras espalhadas na campanha era de que o papa Francisco teria apoiado o republicano.<\/p>\n<p>Aqui, no Brasil, anos antes, em outubro de 2010, a tr\u00eas dias da elei\u00e7\u00e3o presidencial, <strong>Bento XVI<\/strong> condenou o aborto e pediu que bispos brasileiros orientassem os fi\u00e9is politicamente \u2014 no que parecia uma clara interfer\u00eancia. N\u00e3o citava <strong>Dilma Rousseff<\/strong> diretamente, mas tal associa\u00e7\u00e3o com a candidata acabou sendo feita. A petista, na \u00e9poca, reagiu e se disse contra o aborto. \u201cAcho que o papa n\u00e3o tem nada a ver com isso. Aqui ocorreu uma outra coisa, ocorreu uma campanha que n\u00e3o ocorreu \u00e0 luz do dia. Quem fez a campanha n\u00e3o se identificou, n\u00e3o mostrou sua cara. Foi uma campanha de difama\u00e7\u00f5es, de cal\u00fanias e algumas delas ao arrepio da lei\u201d, disse <strong>Dilma<\/strong>. Na \u00e9poca, a express\u00e3o <em><strong>fake news<\/strong><\/em> ainda n\u00e3o era popularizada.<\/p>\n<p>A batalha contra as <em><strong>fake news<\/strong><\/em> come\u00e7a no pr\u00f3prio conceito da express\u00e3o. Nessa guerra, poucos se entendem, como numa grande babel moderna, que apenas oferece vantagens aos produtores de not\u00edcias falsas.<\/p>\n<p>As <span style=\"text-decoration: underline\">pessoas querem replicar as hist\u00f3rias<\/span>, mesmo sem saber exatamente do que se trata. <span style=\"text-decoration: underline\">\u00c9 algo feito por instinto, querem ser os primeiros a levarem uma informa\u00e7\u00e3o qualquer para um grupo<\/span>.<\/p>\n<h1><strong>A ARTE DA MENTIRA<\/strong><\/h1>\n<p>S\u00e3o hist\u00f3rias sem mocinhos. Enquanto os investigadores t\u00eam dificuldades em identificar autores de <em><strong>fake news<\/strong><\/em>, os mercen\u00e1rios profissionais formam um pequeno grupo especializado em comunica\u00e7\u00e3o e tecnologia e, mesmo atuando em times diferentes, conseguem se reconhecer.<\/p>\n<p>Os guerrilheiros geralmente tem\u00a0mais de uma identidade, mais de um escrit\u00f3rio e dois tipos de clientes. \u00c0s vezes tudo se mistura, principalmente quando os contratantes s\u00e3o pol\u00edticos. Uma parte do servi\u00e7o \u00e9 vis\u00edvel, com registros, notas fiscais e funcion\u00e1rios fichados. A outra \u00e9 secreta, sem qualquer tipo de rastro. Na lista clandestina, que tem em m\u00e9dia 18 pessoas, h\u00e1 ex-jornalistas especializados em investiga\u00e7\u00f5es (<em>Fact-checking<\/em>), t\u00e9cnicos em inform\u00e1tica, atores, dubladores \u2014 capazes de imitar 30 vozes de pol\u00edticos e celebridades \u2014 e policiais militares.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 qualquer policial, tem de ser um oficial para garantir a seguran\u00e7a do <strong><em>bunker<\/em><\/strong>. Caso ocorra alguma den\u00fancia, ele precisa matar a investiga\u00e7\u00e3o no in\u00edcio.<\/p>\n<p>H\u00e1 relatos de contrata\u00e7\u00e3o de oficiais da Pol\u00edcia Militar. \u201cNingu\u00e9m faz den\u00fancia sobre um escrit\u00f3rio que produz <em><strong>fake news<\/strong><\/em>, os advers\u00e1rios tentam associar o time ao tr\u00e1fico de drogas ou desmanches, por exemplo\u201d. \u201cSe a pol\u00edcia der uma batida aqui, o meu oficial toma a frente do caso e afasta qualquer possibilidade de levarem computadores, que poderiam me associar a algum pol\u00edtico.\u201d<\/p>\n<p>Entre as \u201c<strong>maldades<\/strong>\u201d produzidas, est\u00e3o as s\u00e1tiras, disseminadas no <strong>WhatsApp<\/strong> e <strong>Facebook<\/strong>. Para al\u00e9m da controv\u00e9rsia sobre como enquadrar as piadas \u2014 acad\u00eamicos divergem se elas s\u00e3o ou n\u00e3o <em><strong>fake news<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p>As tarefas na produ\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o das not\u00edcias v\u00e3o das mais simples \u00e0s mais complexas \u2014 e sempre t\u00eam uma certa dose de provoca\u00e7\u00f5es, como o uso de CPF do candidato advers\u00e1rio em determinada opera\u00e7\u00e3o. Depois de montar a estrutura de <em><strong>fake news<\/strong><\/em>, seja em texto ou v\u00eddeo, e jogar na rede a partir de p\u00e1ginas dispon\u00edveis gratuitamente na internet, a miss\u00e3o ser\u00e1 impulsion\u00e1-la nas redes sociais e garantir maior visualiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, \u00e9 preciso comprar um cart\u00e3o de d\u00e9bito recarreg\u00e1vel \u2014 \u201csem an\u00e1lises de cr\u00e9dito ou qualquer burocracia\u201d, como diz uma propaganda na internet \u2014 , que pode ser adquirido em lojas de departamento por R$ 15. Numa <em><strong>Lan House<\/strong><\/em> da periferia da cidade, mais distante poss\u00edvel do <strong><em>bunker<\/em><\/strong>, o produtor de <em><strong>fake news<\/strong><\/em> precisa habilitar e, na sequ\u00eancia, gerar um boleto para pagamento do cart\u00e3o em d\u00f3lares. E aqui vem a tal piada interna, com uso do CPF.<\/p>\n<p>Se o advers\u00e1rio for buscar as pistas da <strong>maldade<\/strong>, vai chegar a ele mesmo.<\/p>\n<p>A partir daqui, \u00e9 poss\u00edvel fazer dep\u00f3sitos de US$ 500 por dia para impulsionar as not\u00edcias em redes sociais. Para tornar ainda mais complexa a identifica\u00e7\u00e3o, pode-se comprar cart\u00f5es pr\u00e9-pagos em outros pa\u00edses. \u201cJ\u00e1 fiz encomendas para uma rede de guerrilheiros no Canad\u00e1 e em pa\u00edses europeus\u201d. \u201c\u00c9 arriscado comprar esses cart\u00f5es no Brasil, na minha opini\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>As formas de os mercen\u00e1rios mascararem as p\u00e1ginas com os <strong><em>links<\/em><\/strong> de <strong><em>sites<\/em><\/strong> contendo as not\u00edcias falsas s\u00e3o as mesmas usadas por golpistas, fraudadores e ladr\u00f5es h\u00e1 pelo menos 10 anos na <em><strong>web<\/strong><\/em>, tudo a partir da hospedagem em servidores no exterior. A confec\u00e7\u00e3o das p\u00e1ginas \u00e9 feita em computadores comprados de segunda m\u00e3o que ser\u00e3o descartados para evitar rastros logo na largada, a partir do \u201cendere\u00e7o MAC\u201d, a identifica\u00e7\u00e3o dos aparelhos &#8211; que podem ser alterados, diga-se de passagem.<\/p>\n<p>Para terminar de apagar os rastros, falta camuflar\u00a0o protocolo da internet (IP) &#8211; mais conhecido como endere\u00e7o IP &#8211; , respons\u00e1vel por enviar as informa\u00e7\u00f5es que trafegam pela rede, tal qual as cartas postadas. A identifica\u00e7\u00e3o dos IPs pode desmascarar criminosos e, por isso, um dos trabalhos dos mercen\u00e1rios de <strong>fake news<\/strong>, como o de golpistas da rede, \u00e9 alterar os protocolos com os servi\u00e7os de <strong><em>proxy<\/em><\/strong>. Neles, h\u00e1 duas vantagens para o criminoso em rela\u00e7\u00e3o aos investigadores, a transmiss\u00e3o de dados criptografados e as mudan\u00e7as cont\u00ednuas de IP, que pode estar em qualquer parte do mundo.<\/p>\n<p>H\u00e1 pilhas de documentos referentes a um processo judicial em que o mercen\u00e1rio n\u00e3o aparece em nenhum momento. \u201cFoi aberto contra um cliente, um candidato. O advers\u00e1rio se sentiu prejudicado, ningu\u00e9m foi encontrado para responder, e o juiz arquivou, criticando o pol\u00edtico que ajuizou a a\u00e7\u00e3o\u201d, diverte-se o mercen\u00e1rio.<\/p>\n<p>A maioria dos policiais locais n\u00e3o t\u00eam a ideia do que procurar nos computadores.<\/p>\n<p>H\u00e1 um despreparo da pol\u00edcia brasileira nas investiga\u00e7\u00f5es contra as <strong>fake news<\/strong>. \u201cMesmo durante uma batida, imagine se os policiais v\u00e3o se importar com uma s\u00e9rie de m\u00e1quinas, eles n\u00e3o t\u00eam a m\u00ednima ideia do que est\u00e1 sendo feito no escrit\u00f3rio.\u201d De mais a mais,\u00a0 a maior parte dos trabalhos \u00e9 arquivada em servi\u00e7os de nuvens, os servidores remotos, que complicam ainda mais o trabalho de investigadores de cibercrimes.<\/p>\n<p>A mais de 9.000km de dist\u00e2ncia, em Londres, o escritor ingl\u00eas Misha Glenny, 59 anos, autor de Mercado Sombrio, editado no Brasil pela Companhia das Letras, uma esp\u00e9cie b\u00edblia sobre os ataques perpetrados na internet, Glenny morou na Rocinha para escrever O dono do morro e conhece bem tanto os crimes que ocorrem no mundo virtual e fora dele. Al\u00e9m disso, teve acesso a investigadores qualificados da Pol\u00edcia Federal que combatem golpes na internet na Pol\u00edcia Federal.<\/p>\n<p>O pa\u00eds tem muitos usu\u00e1rios de internet competentes, muitos bons engenheiros de softwares, mas as estruturas governamentais do pa\u00eds s\u00e3o subdesenvolvidas.<\/p>\n<p>Glenny, \u00e9 c\u00e9tico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capacidade da sociedade civil organizada em combater as <em><strong>fakes news<\/strong><\/em>, levando a bola de volta para as autoridades. O problema \u00e9 que h\u00e1 um bate-cabe\u00e7a no debate sobre <strong>fake news<\/strong>, onde qualquer a\u00e7\u00e3o mais efetiva do Estado pode ser confundida como censura. Professor da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo e coordenador do Laborat\u00f3rio sobre Imagem e Cibercultura (Labic), F\u00e1bio Malini \u00e9 um dos maiores pesquisadores da rede brasileira e se diz c\u00e9tico sobre os efeitos das investiga\u00e7\u00f5es e das altera\u00e7\u00f5es da legisla\u00e7\u00e3o para conter as <em><strong>fake news<\/strong><\/em>.<\/p>\n<h3><strong>A for\u00e7a-tarefa para combater as <em>fake news<\/em> \u00e9 irrelevante.<\/strong><\/h3>\n<p>Malini faz refer\u00eancia ao grupo criado por <strong>Luiz Fux<\/strong>, ministro do Supremo, com representantes da <strong>Pol\u00edcia Federal<\/strong> e do <strong>Minist\u00e9rio P\u00fablico<\/strong>. Para o professor, a cultura das not\u00edcias falsas se desenvolve cada vez mais nas redes sociais privadas, como o <strong>WhatsApp<\/strong>, uma defini\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria do acad\u00eamico \u2014 alguns especialistas veem o aplicativo como um servi\u00e7o de troca instant\u00e2nea de mensagens, mas todos concordam na dificuldade de apurar crimes disseminados dentro dos grupos.<\/p>\n<p>Hoje, h\u00e1 apenas tr\u00eas formas de punir os autores de <em><strong>fake news<\/strong><\/em>, todas com mais de 30 anos de vig\u00eancia. Primeiro, o C\u00f3digo Eleitoral, que trata da divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es inver\u00eddicas, \u00e9 da d\u00e9cada de 1960, sem qualquer refer\u00eancia \u00e0 internet. O C\u00f3digo Penal, que prev\u00ea a inj\u00faria, cal\u00fania e difama\u00e7\u00e3o, \u00e9 dos anos 1940 e poderia ser usado em \u00faltima hip\u00f3tese. Por fim, a Lei de Seguran\u00e7a Nacional, de 1980, que estabelece puni\u00e7\u00f5es por difundir boatos que causem p\u00e2nico.<\/p>\n<p>No s\u00e9timo andar do M\u00e1scara Negra, como \u00e9 conhecido entre jornalistas o edif\u00edcio-sede da <strong>Pol\u00edcia Federal<\/strong>, em <strong>Bras\u00edlia-DF<\/strong>, Eug\u00eanio Ricas, diretor de Investiga\u00e7\u00e3o e Combate ao Crime Organizado da corpora\u00e7\u00e3o concorda que o pa\u00eds n\u00e3o est\u00e1 preparado para as <em><strong>fake news<\/strong><\/em> nas <strong>Elei\u00e7\u00f5es de 2018<\/strong>. \u201cS\u00f3 estar\u00edamos preparados se fosse poss\u00edvel responder ao crime em poucos dias, sem permitir que as not\u00edcias falsas interferissem na campanha\u201d, disse o delegado, que, aos 42 anos, se transformou numa esp\u00e9cie de porta-voz da for\u00e7a-tarefa.<\/p>\n<p>Ricas afirma que a legisla\u00e7\u00e3o \u00e9 fraca o que dificulta ainda mais investiga\u00e7\u00f5es complexas para se chegar aos autores, que usam servidores de outros pa\u00edses e a <strong><em>deep web<\/em><\/strong>. O policial acredita que o objetivo da for\u00e7a-tarefa \u00e9 criar protocolo de atua\u00e7\u00e3o dos investigadores, da <strong>PF<\/strong> e do <strong>MP<\/strong>, e dos magistrados. O segundo passo seria propor minuta de altera\u00e7\u00e3o legislativa. O delegado acredita saber qual o perfil dos produtores de <em><strong>fake news<\/strong><\/em>: \u201cS\u00e3o jovens com habilidade com internet, uma parte faz de brincadeira e outra para <strong>ganhar dinheiro<\/strong>. E nesse meio tem os ideol\u00f3gicos, da direita e da esquerda\u201d. O leque de suspeitos \u00e9 amplo. Existem hist\u00f3rias sem mocinhos.<\/p>\n<h3><strong>As buscas<\/strong><\/h3>\n<p>Existem hist\u00f3rias sem rastros. Nos \u00faltimos meses da \u00faltima campanha presidencial no Brasil, um guerrilheiro costuma dormir n\u00e3o mais que duas noites no mesmo hotel. As trocas constantes de endere\u00e7os s\u00e3o uma precau\u00e7\u00e3o envolvendo a seguran\u00e7a do mercen\u00e1rio, que levava sempre na mochila o computador. Um simples notebook, descart\u00e1vel, que pode ser adquirido no mercado por R$ 1,5 mil. A m\u00e1quina servia apenas para se conectar a redes sem fio, mas uma apreens\u00e3o poderia, nunca se sabe, complicar o candidato que contratou peso de ouro.<\/p>\n<p>Os mercen\u00e1rios demonstram impaci\u00eancia com os \u201camadores\u201d. \u201cH\u00e1 guerrilheiros mais afoitos que acabam deixando rastros ao usar programas, por causa dos dados EXIF\u201d. \u00c9 uma farsa, o que move o trabalho desses homens, especializados em comunica\u00e7\u00e3o e tecnologia, \u00e9 o dinheiro. Os tais dados abrem a possibilidade de algu\u00e9m identificar o local onde a foto foi tirada. \u201cA m\u00e1quina fotogr\u00e1fica grava dados como ISO, abertura, velocidade, etc. Quando grava uma imagem com um Photoshop, ele pode incluir dados que foram usados por quem instalou o programa e desmascarar o produtor de <em><strong>fake news<\/strong><\/em>.\u201d<\/p>\n<p>Mesmo com a dificuldade de investiga\u00e7\u00e3o, alguns mercen\u00e1rios amadores caem na rede dos investigadores. Foi o caso de um empres\u00e1rio do Esp\u00edrito Santo, indiciado por crime de divulga\u00e7\u00e3o de pesquisa fraudulenta. A apura\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal foi iniciada por causa da falsifica\u00e7\u00e3o de p\u00e1gina de um jornal na internet. A <em><strong>fake news<\/strong><\/em> revelava um levantamento fraudulento. O caso, com investiga\u00e7\u00e3o do in\u00edcio ao fim, \u00e9 t\u00e3o raro que vai servir de modelo para a for\u00e7a-tarefa criada pelo ministro <strong>Luiz Fux<\/strong>, do Supremo Tribunal Federal (STF), com a <strong>PF<\/strong> e o <strong>Minist\u00e9rio P\u00fablico<\/strong>. Mas todos sabem das dificuldades de ca\u00e7ar um mercen\u00e1rio.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma sofistica\u00e7\u00e3o e uma complexidade nas <em><strong>fake news<\/strong><\/em> que tornam as investiga\u00e7\u00f5es e as pr\u00f3prias puni\u00e7\u00f5es complexas.<\/p>\n<p>Evandro Lorens, diretor da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), \u00e9 uma figura tranquila, mas n\u00e3o confunda tal qualidade com a resigna\u00e7\u00e3o. Especialista em arquitetura e seguran\u00e7a da informa\u00e7\u00e3o, Lorens afirma que ainda h\u00e1 uma imaturidade no pa\u00eds para tratar do tema, mas acredita que investigadores e a pr\u00f3pria sociedade ser\u00e3o capazes de evoluir no combate \u00e0s <em><strong>fake news<\/strong><\/em>. Ele tra\u00e7a um paralelo com as primeiras apura\u00e7\u00f5es sobre os casos de pedofilia na internet.<\/p>\n<p>No in\u00edcio das apura\u00e7\u00f5es sobre os crimes de pedofilia na rede, os peritos n\u00e3o conseguiam avan\u00e7ar porque a legisla\u00e7\u00e3o apenas autorizava o flagrante no momento da transmiss\u00e3o das imagens das crian\u00e7as. \u201cIsso complicava muito a apura\u00e7\u00e3o. A gente tentava fazer a intercepta\u00e7\u00e3o, avan\u00e7ava, mesmo com eles usando o <em><strong>proxy<\/strong><\/em>, mas n\u00e3o conseguia prender\u201d, lembrou Lorens. Tal ferramenta, o <em><strong>proxy<\/strong><\/em>, \u00e9 usada para criptografar dados e mascarar os protocolos de internet (IP), que identificariam a conex\u00e3o e o conte\u00fado das informa\u00e7\u00f5es. \u201cMesmo com as buscas e apreens\u00f5es, o cara n\u00e3o era preso e sumia no mundo, pois o armazenamento do conte\u00fado pornogr\u00e1fico n\u00e3o era considerado crime.\u201d<\/p>\n<p>O avan\u00e7o ocorreu com altera\u00e7\u00f5es na legisla\u00e7\u00e3o. O armazenamento de v\u00eddeos e imagens passou a ser considerado crime. \u201cDemos a \u00faltima volta no parafuso com o desenvolvimento de tecnologia, que permitiu a an\u00e1lise dos computadores ainda na resid\u00eancia do criminoso\u201d, afirmou Lorens. Em v\u00e1rios momentos, como no caso do combate \u00e0 pedofilia, as ferramentas s\u00e3o desenvolvidas pelos pr\u00f3prios peritos. De volta \u00e0s <em><strong>fake news<\/strong><\/em>, ainda estamos longe de avan\u00e7os, o que faz com que Lorens acredite no <strong>desenvolvimento da pr\u00f3pria sociedade para se proteger das not\u00edcias falsas montadas pelos mercen\u00e1rios<\/strong>.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria legisla\u00e7\u00e3o \u00e9 antiquada, com leis das d\u00e9cadas de 1940 e 1960, dos c\u00f3digos Penal e Eleitoral, respectivamente. A mais recente, de seguran\u00e7a nacional, \u00e9 dos anos 1980, completamente defasada no quesito crimes virtuais. O marco civil da internet, como \u00e9 chamada a Lei N\u00b0 12.965\/14, sancionada por <strong>Dilma Rousseff<\/strong>, tamb\u00e9m n\u00e3o ajuda os investigadores.<\/p>\n<p>\u201cTodos t\u00eam lados, inclusive ju\u00edzes. Qual a chance real de uma a\u00e7\u00e3o efetiva contra uma campanha presidencial se um magistrado n\u00e3o estiver preparado para perceber o estrago de uma <em><strong>fake news<\/strong><\/em>, e simplesmente desconsiderar as apura\u00e7\u00f5es\u201d, questionou um investigador federal que preferiu n\u00e3o se identificar. \u201cA for\u00e7a-tarefa vai servir para amedrontar os amadores, que v\u00e3o pensar duas vezes antes de tentaram produzir <em><strong>fake news<\/strong><\/em>. Os profissionais continuar\u00e3o no jogo.\u201d<\/p>\n<h3><strong>\u201cO Brasil n\u00e3o est\u00e1 pronto para o combate\u201d<\/strong><\/h3>\n<p>O escritor ingl\u00eas Glenny, apura os movimentos de criminosos na internet. Autor dos livros Mercado sombrio e McM\u00e1fia, ele exp\u00f5e o universo do cibercrime para o leitor comum, com todas as implica\u00e7\u00f5es e riscos tanto para os Estados como para a vida privada do cidad\u00e3o. Se a internet mudou o cotidiano das pessoas, tamb\u00e9m as deixou ref\u00e9ns a golpes de todos os tipos, a partir de e-mails, aplicativos de mensagens instant\u00e2neas e not\u00edcias falsas, um tema que cada vez mais \u00e9 alvo de preocupa\u00e7\u00f5es de Glenny. Entre os pr\u00f3ximos meses de maio e abril, o escritor vem ao Brasil para revisitar a favela da Rocinha, cen\u00e1rio do mais recente livro, O dono do morro \u2014 um homem e a batalha pelo Rio, lan\u00e7ado em 2016.<\/p>\n<p><strong>\u00bb\u00bb O Brasil est\u00e1 preparado para combater as fake news?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o, eu n\u00e3o acho que o Brasil est\u00e1 preparado de maneira alguma. O pa\u00eds tem muitos usu\u00e1rios de internet competentes, muitos bons engenheiros de softwares, mas as estruturas governamentais do pa\u00eds s\u00e3o subdesenvolvidas. Mesmo quando voc\u00ea olha para os Estados Unidos e para o Reino Unido e o estrago que as not\u00edcias falsas causaram nestes pa\u00edses, filtros e barreiras sofisticados est\u00e3o falhando, e esses artif\u00edcios n\u00e3o existem no Brasil. A \u00fanica vantagem significante do Brasil em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s <em><strong>fake news<\/strong><\/em> \u00e9 a l\u00edngua portuguesa, porque os brasileiros conseguem perceber quando algo n\u00e3o foi escrito em portugu\u00eas correto. Mas em termos de infraestrutura de prote\u00e7\u00e3o contra as <strong>fake news<\/strong>, o Brasil n\u00e3o est\u00e1 em uma posi\u00e7\u00e3o muito favor\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>\u00bb\u00bb Qual o grau da influ\u00eancia russa nas elei\u00e7\u00f5es de Donald Trump?<\/strong><\/p>\n<p>O que acontece \u00e9 que a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da <strong>R\u00fassia<\/strong> \u00e9 10 vezes pior do que a norte-americana. N\u00e3o d\u00e1 para competir com armas convencionais e nem com armas cibern\u00e9ticas. Ent\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio usar as armas que se tem. E os <strong>russos<\/strong> perceberam as fraquezas do sistema democr\u00e1tico dos EUA e da Europa, e como as <strong>fake news<\/strong> s\u00e3o um meio artificial muito barato e eles criaram incertezas entre a sua prote\u00e7\u00e3o, competidores e inimigos.<\/p>\n<p><strong>\u00bb\u00bb Qual \u00e9 a responsabilidade das empresas?<\/strong><\/p>\n<p>Facebook e o Google s\u00e3o editores, apesar de eles dizerem que apenas fornecem manchetes para uma audi\u00eancia completamente aberta. Mas eles precisam come\u00e7ar a assumir responsabilidades sobre o conte\u00fado, como os jornais, inclusive os ao vivo, t\u00eam.<\/p>\n<p><strong>\u00bb\u00bb Como grupos da sociedade civil podem combater as <em>fake news<\/em>?<\/strong><\/p>\n<p>Isso \u00e9 muito complicado pelo fato de as <em><strong>fake news<\/strong><\/em> se espalharem em uma variedade muito grande de <em><strong>websites<\/strong><\/em>. Ent\u00e3o, acho isso uma armadilha. N\u00e3o tenho certeza sobre o que a sociedade civil pode fazer sobre isso. Eu diria que isso est\u00e1 mais provavelmente no n\u00edvel governamental.<\/p>\n<p><strong>\u00bb\u00bb Como combater as <em>fake news<\/em> sem atingir a liberdade de express\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>A princ\u00edpio, as leis de informa\u00e7\u00f5es deveriam existir tamb\u00e9m para a internet. Na pr\u00e1tica, isso n\u00e3o acontece. E o que voc\u00ea percebe \u00e9 um debate muito polarizado. O n\u00edvel de debate <em>on-line<\/em> \u00e9 extremamente agressivo e essa, para mim, \u00e9 maior preocupa\u00e7\u00e3o. At\u00e9 mais que as <em><strong>fake news<\/strong><\/em>, e, claro, elas est\u00e3o relacionadas. E as leis aplicadas pela m\u00eddia no jornalismo impresso n\u00e3o parece ser utilizada nas m\u00eddias sociais. No Reino Unido, houve um aumento de processos contra indiv\u00edduos em redes sociais. A pol\u00edcia tem percebido isso como uma \u00e1rea problem\u00e1tica.<\/p>\n<h3><strong> A salva\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>N\u00e3o se produz <em><strong>fake news<\/strong><\/em> do dia para a noite. Todo o trabalho leva meses. Isso significa que a prepara\u00e7\u00e3o de um determinado produto deve ser feita ainda no in\u00edcio do ano eleitoral. Neste momento, h\u00e1 grupos rastreando endere\u00e7os de e-mails e n\u00fameros de telefones. N\u00e3o duvide, por exemplo, se o celular come\u00e7ar a tocar sem que algu\u00e9m fale do outro lado da linha, e tudo n\u00e3o passe de testes de uma empresa de disparos de <strong>WhatsApp<\/strong>. O endere\u00e7o do e-mail pessoal esque\u00e7a, este j\u00e1 foi rastreado uma centena de vezes.<\/p>\n<p>Mercen\u00e1rios profissionais come\u00e7am a montar os ex\u00e9rcitos de <em><strong>fake news<\/strong><\/em> meses antes de uma elei\u00e7\u00e3o. Para que pare\u00e7am minimamente reais, t\u00eam de ser feitos quase manualmente, mesmo com dados e fotos falsas dos usu\u00e1rios, num processo longo de adicionar amigos, curtir p\u00e1ginas \u2014 todas aquelas tarefas realizadas pelo cidad\u00e3o comum dentro da rede social. A partir de impulsionamentos no Facebook, gente contratada por mercen\u00e1rios inicia a manipula\u00e7\u00e3o dos <strong>falsos perfis<\/strong>, que d\u00e3o \u201cbom dia\u201d, v\u00e3o a restaurantes, supermercados e, por fim, espalham as <em><strong>fake news<\/strong><\/em>. Na pr\u00e1tica, aquele amigo pode n\u00e3o existir, mas tem chances de influenciar algu\u00e9m. Mas essa \u00e9 apenas uma parte menor da estrat\u00e9gia. O conjunto do trabalho do mercen\u00e1rio \u00e9 que faz a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Umas das a\u00e7\u00f5es dos mercen\u00e1rios envolve a minera\u00e7\u00e3o de e-mails e n\u00fameros de telefone, depois da compra de grandes lotes de endere\u00e7os no mercado paralelo de dados. A venda \u00e9 feita a funcion\u00e1rios corruptos de grandes empresas comerciais, que repassam os cadastros de clientes. O um dos mercen\u00e1rios explica: \u201cDepois de receber todos aqueles dados, \u00e9 preciso miner\u00e1-los. Ou seja, \u00e9 preciso saber, por exemplo, se os e-mails est\u00e3o ativos\u201d. A tarefa \u00e9 fundamental para evitar que os disparos das <em><strong>fake news<\/strong><\/em> ca\u00edam nas caixas de spam, o que inviabilizaria toda a estrat\u00e9gia. Para o sucesso da opera\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso combinar a\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para e-mails, <strong>Facebook<\/strong> e <strong>WhatsApp<\/strong>.<\/p>\n<p>O planejamento \u00e9 feito com tempo e dinheiro. As opera\u00e7\u00f5es mais efetivas s\u00e3o t\u00e3o bem pensadas que chegam a enganar os militantes mais ferrenhos de partidos. O Guerrilheiro lembra-se da montagem de um site com as cores principais de uma legenda. Ali, ele passou a anexar artigos e exultar, a partir de palavras de ordem, \u201cconvertidos\u201d a defenderem causas que o pr\u00f3prio candidato queria isolar na campanha por saber que perderia votos entre eleitores ainda indecisos. A p\u00e1gina, com indexa\u00e7\u00e3o eficiente, ganhou cora\u00e7\u00f5es e mentes dos militantes mais combativos. O mercen\u00e1rio a partir da\u00ed come\u00e7ou a radicalizar o discurso, confundindo os pr\u00f3prios marqueteiros do time advers\u00e1rio.<\/p>\n<p>F\u00e1bio Malini, professor da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo e coordenador do Laborat\u00f3rio sobre Imagem e Cibercultura (Labic), acredita que a incerteza do cen\u00e1rio eleitoral brasileiro neste momento estimula a produ\u00e7\u00e3o das <em><strong>fake news<\/strong><\/em>. Ele compara o per\u00edodo de campanha deste ano com a greve da Pol\u00edcia Militar do Esp\u00edrito Santo, em fevereiro do ano passado, e avalia que foi ainda mais dram\u00e1tica por causa da quantidade de not\u00edcias falsas que circulou durante a paralisa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cNaquele momento havia um clima de incerteza e uma ambiguidade das pr\u00f3prias autoridades\u201d, afirmou Malini. \u201cDe certa forma, as elei\u00e7\u00f5es de outubro apresentam esse vazio, um jogo jogado nas sombras, em que os pr\u00f3prios pol\u00edticos n\u00e3o sabem qual o futuro. N\u00e3o h\u00e1 a menor d\u00favida que ser\u00e1 um ambiente f\u00e9rtil para as <em><strong>fake news<\/strong><\/em>\u201d, completou.<\/p>\n<h3><strong>Risco externo<\/strong><\/h3>\n<p>Se a guerra entre os candidatos ser\u00e1 repleta de <strong>fake news<\/strong>, o Brasil ainda parece estar livre de ataques de fora, como ocorreu nos Estados Unidos. \u201cN\u00e3o acredito que n\u00e3o exista aqui um interesse internacional para se movimentar uma estrutura daquelas para interferir na elei\u00e7\u00e3o daqui. Agora, que a gente vai ter uma enxurrada de <em><strong>fake news<\/strong><\/em> interna, n\u00e3o h\u00e1 a menor d\u00favida\u201d, afirmou Eug\u00eanio Ricas, diretor de Investiga\u00e7\u00e3o e Combate ao Crime Organizado da Pol\u00edcia Federal.<\/p>\n<p>Na \u00faltima sexta-feira, Ricas se encontrou com o representante do FBI, a ag\u00eancia norte-americana respons\u00e1vel por crimes federais. A corpora\u00e7\u00e3o atua nas investiga\u00e7\u00f5es sobre os ataque dos russos na \u00faltima elei\u00e7\u00e3o que elegeu Donald Trump. Integrantes da <strong>Pol\u00edcia Federal<\/strong> e do <strong>FBI<\/strong> iniciaram conversas para um acordo de coopera\u00e7\u00e3o e troca de informa\u00e7\u00f5es. Tal a\u00e7\u00e3o deve municiar os agentes brasileiros para trabalharem durante a campanha brasileira, na tentativa de ca\u00e7ar os mercen\u00e1rios.<\/p>\n<p>A primeira experi\u00eancia de Ricas com ataques coordenados de <em><strong>fake news<\/strong><\/em> tamb\u00e9m ocorreu na greve da PM do Esp\u00edrito Santo, no ano passado. A metralhadora digital de mercen\u00e1rios foi apontada para o policial. Naquele per\u00edodo, Ricas era secret\u00e1rio de Justi\u00e7a do estado. \u201cA quantidade de <em><strong>fake news<\/strong><\/em> era surreal, uma coisa criminosa contra a sociedade.\u201d Na manh\u00e3 de s\u00e1bado de carnaval, ele deu uma entrevista contra \u201co terrorismo\u201d de Estado. Menos de quatro horas depois, Ricas e parte da fam\u00edlia foram v\u00edtimas de um <em>doxing<\/em>, como \u00e9 chamada a pr\u00e1tica virtual de pesquisar e distribuir de forma viral os dados pessoais de algu\u00e9m. As investiga\u00e7\u00f5es do crime ainda est\u00e3o em andamento, com pistas apontando para pol\u00edticos e at\u00e9 mesmo para o lobby da ind\u00fastria armamentista.<\/p>\n<h2>Que venham as Elei\u00e7\u00f5es de 2018 no Brasil, que j\u00e1 est\u00e1 logo ali na esquina &#8211; n\u00f3s do <a href=\"https:\/\/posverda.de\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">posverda.de<\/a>\u00a0, j\u00e1 estamos fazendo o nosso trabalho!<\/h2>\n<h1>Ficou em d\u00favida sobre alguma not\u00edcia suspeita que recebeu? Use <a href=\"https:\/\/posverda.de\/r\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">nossa ferramenta<\/a> e fa\u00e7a a checagem antes de #compartilhar!<\/h1>\n<h6 style=\"color: #999999\">fonte: correio braziliense<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As Guerrilhas, o Jogo Sujo das Fake News e a Arte da 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